quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sobre o tempo....

Mais de um ano distante do blog, hoje eu senti saudade.
Senti saudade de escrever, de me expor de uma maneira tão forte e intensa que mais que escrevendo, só se eu pusesse a bunda na janela para a vizinhança do prédio; mas está frio então, fico com a escrita, por enquanto.
Muita coisa aconteceu, muita mesmo; eu refiz meus últimos passos e em um breve comparativo, poderia considerar que minha existência deu um salto evolutivo nos últimos meses.
Eu casei. Sim, casei. Sério mesmo! 
E é bom e ruim, é maravilhoso e absurdamente claustrofóbico, é tenso e intenso, é conflitante e confortador. É pleno, forte e feliz mesmo nos dias difíceis.

Espero nunca me descasar, jamais acharei alguém que entenda meu vício por Harry Potter, Bruce Willis e gelatina quente; ou então aceitar que a minha bipolaridade esta piorando com a idade e que em dias de umidade eu simplesmente me torno um serial killer em potencial.
Eu mudei de apartamento, o que não muda em nada a sensação de continuar em um cortiço, ouvindo os vizinhos ao telefone ou ameaçando de arrancar as orelhas dos filhos; tudo enquanto estendo roupas e assisto tudo pelo poço de luz. 

Falando em estender roupas, é gasto de tão sabido que minha relação com a máquina de lavar é conflituosa, ela já tentou engolir meus braços e eu furei um dedo tentando arrancar pedaços dela; hoje atingimos um nível diferente de relação, ela tornou-se um bebê recém-nascido em que num breve descuido, ela alaga a casa e me condena a horas frustrantes de cócoras tentando remendar o estrago. (Preciso realmente aposentá-la.)

Eu me oficializei como professora do magistério estadual, com duas nomeações (yeah! só que não!), amarrada a intermináveis horas dentro do ensino médio; as vezes me sinto em um eterno deja vú onde nunca consigo sair do colégio e preciso de algumas horas para entender que não preciso mais me preocupar com a entrega de MINHAS notas. 
Honestamente, espero que eu possa, em breve, escrever um texto intitulado "Como eu me livrei do magistério para sempre..." mas, enquanto escrevo me dou conta de que poderia estar estudando e então, provavelmente ainda vai demorar, mas vai acontecer.

Eu não adquiri nada de realmente novo no quesito hábitos, mas aprimorei antigos e poderia com firmeza dizer que sou mestre na arte de dormir mais de 12h por dia sempre que possível e que minha revolta com o mundo vem tomando proporções assustadoras; tanto que, segundo meu esposo, eu consigo fazer uma "cara de ódio do mundo"; se isso não é amor verdadeiro, eu não sei o que seria. Não acham?
Eu reli alguns textos e comentários do blog nos últimos dias, senti vergonha.
Deletei o facebook e ao contrário do que a maioria das pessoas pensou, eu fiz isso porque estou bem.
Perdia tempo com joguinhos (sim, são legais), com atualizações cansativas, apelativas, depressivas,cheias de desejo de aceitação; peguei tanto nojo por estar perdendo um bom tempo com isso que resolvi sair e foi ótimo. 
Fora das redes sociais, ou pelo menos da mais badalada dela; leio mais, vejo mais filmes e vejam só, escrevo.
Recentemente visitei a livraria da minha cidade (compro livros online) e junto com meu irmão, constatei que pode-se conhecer as pessoas que vivem em um local pela qualidade das livrarias que tem. Alguns podem não concordar, mas não mudarei minha forma de pensar a  esse respeito.
Virei madrinha de uma menina linda que me alegra os dias e não muda em nada minha opção por não ter filhos. Tenho outro afilhado (é, eu sei, é estranho) igualmente lindo e que ainda não muda em nada minha opção por não ter filhos.
Depois disso me dei conta, do quanto nós mulheres, fomos manipuladas por anos pela sociedade machista. Sempre nos fizeram pensar que só seríamos plenas sendo mães, cuidando da casa e mantendo a família unidade como se essa fosse a obrigação da mulher. Não virei feminista, apenas repensei a maneira como fomos cegados por crenças antiquadas. Ver a verdade é libertador. Sou mulher e não mãe e isso não me faz menos plena, menos feliz, menos boa pessoa.




Um comentário:

Gil Sampaio disse...

Que bom que voltou a escrever. Simplesmente maravilhoso. tentarei escrever também. Engraçado ler nossos textos antigos, conseguimos perceber nosso amadurecimento. Parabéns, Beijos e sucesso.

Giltone